Gestão

Sete sinais de que a gestão não acompanhou o crescimento da empresa

Por Juliana Pinheiro · Leitura de 4 minutos

Crescer é ótimo. Mas o crescimento costuma chegar antes da estrutura. O que funcionava com 20 pessoas deixa de funcionar com 80, e ninguém percebe o momento exato da virada.

Isso não é falha de ninguém. Larry Greiner, professor da University of Southern California, mostrou em um clássico da Harvard Business Review que as empresas passam por fases de crescimento estável intercaladas por momentos de crise de gestão. Cada fase exige práticas novas, e as práticas que trouxeram a empresa até aqui acabam se tornando o obstáculo da fase seguinte (Greiner, 1998). Neil Churchill e Virginia Lewis chegaram a uma conclusão parecida: a capacidade do dono de delegar e de pensar estrategicamente pesa tanto quanto o tamanho da empresa (Churchill e Lewis, 1983).

Na minha experiência à frente de áreas em empresas de saúde, logística e varejo, esses sete sinais aparecem com frequência:

  1. Tudo passa por uma ou duas pessoas. Aprovações, dúvidas e decisões param na mesa da diretoria. A empresa anda no ritmo da agenda de quem decide.
  2. Cada área ou unidade faz do seu jeito. A mesma tarefa tem três versões, e o resultado depende de quem executa.
  3. O conhecimento mora na cabeça das pessoas. Quando alguém sai de férias ou deixa a empresa, parte da operação para junto.
  4. Muitas reuniões, poucas decisões. Ninguém sabe ao certo quem pode decidir o quê, então tudo volta para a pauta.
  5. Cada área tem a sua planilha. Os números não conversam e a diretoria gasta tempo conciliando dados em vez de decidir.
  6. Exigências chegam como surpresa. Um cliente grande pede evidências de conformidade, um banco pede indicadores ESG, uma fiscalização aparece, e a resposta é montada às pressas.
  7. Contratar mais não resolve. O time cresce, mas os gargalos continuam os mesmos, porque o problema está no desenho, não no número de pessoas.

O que fazer

Reconhecer dois ou três desses sinais não pede uma reestruturação completa. Pede clareza sobre onde a empresa está e sobre o que precisa mudar primeiro. Em geral, o caminho começa por três movimentos: definir papéis e alçadas, padronizar os processos críticos e reunir poucos indicadores que realmente orientem decisões.

Gerir o crescimento é uma escolha. Quanto antes ela é feita, menor o custo da mudança.

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Referências